Fim do 1º ato!

Em terra de urubu, quem faz gol é Imperador!

O espetáculo teve o final de sua primeira parte  na noite de ontem, no maior estadio com drenagem do mundo! Mesmo com um 1º tempo tecnicamente fraco devido ao cubo dágua que estava debaixo do gramado devido as chuvas torrencias cariocas (creio que a chuva deve até ter a Chave da Cidade!), o que nao faltou ao jogo foi emoção. Coisa que somente times como Flamengo e Corinthians poderiam proporcionar.

Mesmo com o campo ensopado, o Fuderosão aparentava ter tido uma adaptação melhor a situação. Estavam trocando passes pelo alto, rapido, e de um lado para o outro. Quando achei que Michael poderia até ser o destaque do jogo, faz duas faltas ridiculamente infantis, e é expulso. Ali eu pensei que a vaca tinha ido pro brejo… e atolado! Mas em fração de segundos lembrei que o time em questão era o Hexa-campeão do povao, aniquilador de imprensa bairrista prepotente. E de vaca presa em brejo alagado, só um certo nº 9 de branco mesmo…

Tava na cara que as jogadas do Sport Clube Ronaldo Paulista seriam articuladas pela esquerda. R. Carlos e Danilo caindo pelo lado, obrigariam a prender o Leo Moura. Só que o Rogério Lourenço foi sagaz: revezou Willians e Rômulo por aquele setor pra dar cobertura ao Bolt Moura, e os dois gambás até que nao fizeram tanto. Com exceção do R. Carlos, que a cada bola parada era um Deus nos acuda. Nego bate na bola como poucos!

Meio-campo era nosso: Maldonado, Willians e Romulo fizeram um partidaço! Com exceção do “Eu ia, tu ia, Elias!” (péssima!), eles não jogaram nada no meio campo. Só qd o Impera do mal sacudiu a rede gambástica sem passaporte eles dominaram o meio, mas aí muito mais pelo recuo estratégico de quem tinha 1 a menos do que por capacidade própria!

Flamengo correu como nunca! Vagner Love, Leo Moura, Juan… até o Impera deu carreira na zaga safada deles! Ganhou umas 4 ou 5 bolas do Willian só na proteção. Chicão eh que salvou o caldo ontem: jogou bem também.

E o Ronaldo? Ele é craque, pode decidir em São Paulo sim, mas ontem foi apenas um urso panda procurando bambu (pescou? hã?). Foi o mais prejudicado em campo, também pudera: foi o jogador que mais pegou chuva no campo! (rá!). Deu uma pixotada de domínio a la “Denis Marques”, e fez um cruzamento ótimo no final do jogo. Pena que nossos dois zagueiros, Iarlei e Cai-cai Henrique afastaram sem maiores problemas.

E nem vou falar da mãozinha do R. Carlos q merecia segundo amarelo… amarelou o Amarilla, qd tinha q ter amarelado era o lateral do Corinthians.

E a Magnética?! Como gremmilings qd se joga agua, multiplicou-se na chuva, cantou, apoiou, empurrou o time pra frente, e reconheceu a raça do nosso conturbado elenco. A deles… bom, a deles só se fez presente quando apertaram “ON” no microfone da Globo. A nossa fatalmente também só vai aparecer com isso, até porque Andres Sanches deu apenas 700 ingressos pra gente. Normal… cada um joga com o que pode, e o medo e inerente de certas pessoas.

Nada decidido ainda! 1×0 só reverte a vantagem! Com um gramado mais seco, obvio que o jogo vai ser melhor! Eles vao vir pra cima, e o Flamengo vai ter que saber jogar com inteligencia, sem ser covarde pra ficar na defesa o tempo todo!

Amigo… isso tudo aí de cima só foi o 1º ato desse confronto de gigantes! O 2º é semana que vem, e promete ser mais tenso do que o 1º!

Vamo que vamo!

(8)Vai começar a guerraaaaa…(8)

Quis o destino que as duas maiores torcidas do país batalhassem logo prematuramente na Libertadores. Por um lado eu até curti, visto que nas outras oitavas que a gente foi eliminado, pegamos times teoricamente mais fracos. Já encarar um forte logo de cara pode nos deixar ligados para outras fases, caso classifiquemos. Nem vou pedir desculpa para as torcidas coadjuvantes, pq o que eu vou falar deve estar bem na cara: é o jogo do ano! Gambazada sem passaporte no ano do seu centenário pegando o time que eles sonham em ser um dia. Diz aí se classificar em 1º foi tao massa assim, diz hehe…

Eles sao favoritos, pensemos racionalmente. Não só pela campanha, mas tambem pelo ambiente interno. O Fla vive uma crise que, aparentemente, parece ter dado uma diminuída por conta da concentração pra esse jogo. O time abraçou a causa, e viu que a melhor resposta para qualquer insatisfação com diretoria, é ganhar a Liberta. Ficar batendo em balde e fazendo pagode em vestiario é coisa de zé ruela!

Só não venham achando que por isso a parada tá decidida. Já basta a imprensa de SP (em sua maioria) já rotular os 2 jogos como “baba do boi” pro Sport Clube Ronaldo Paulista. Clássicos como este estão em jogo muito mais do que números, estatísticas ou batuca: a rivalidade e a mística podem pesar e muito! É um bicão mal dado, um pique mais raçudo, ou uma paqueirada a mais em algum traveco, podem decidir o jogo! Futebol nunca foi lógico, e não vai ser em um clássico dessa magnitude que vai passar a ser.

A monstruosa e aniquiladora Magnética, a Nação em forma de torcida vai estar lá fazendo sua parte, como de costume. Mas o time tem que fazer por merecer esse apoio. Quando apenas um dos dois joga, viramos um time comum, e disso o outro lado entende bem como é ser isso. Para fazermos a diferença, torcida e time devem estar unidos num só, assim como Zico e bola, futebol e gol, e Ronaldo e maço de cigarro.

Chega sexta, mas não dá 21:45h de quarta! Nem estou tão nervoso pelo jogo em si, mas eu queria muito mesmo que esse fosse o jogo do “cala a boca” pra essa turma que acha q vai ser fácil ir ao Rio ganhar do Fuderosão. Ninguém ganha de véspera, nem mesmo a gente.

Agora, se pintar um 2×0, 3×0, quem sabe eles não alegam “empate tecnico”?

Que a 1ª parte da guerra comece!

A imponência que seduz

Este texto pode não agradar a ala masculina. Que me desculpem, mas nós mulheres, temos uma vantagem em nossa relação com o futebol. Podemos desfrutar o esporte que amamos apreciando belos (raros) protagonistas da mesma forma que vocês assistem exibições de Isinba(y)eva. É claro que muitas nos causam problemas com este assunto, é triste ouvir sua amiga que assistiu Condomínio vs Estacionamento porque o camisa 8 tinha uma bela cara. Constrangedor mesmo, vergonha como cair na rua movimentada durante a adolescência. Aceitem esta nossa vantagem, e que não formem (mais) pré-conceitos.

Imagino o pensamento de alguns, mas confesso minha debilidade: equipes que aliam caráter, personalidade, maturidade e talento. Não que seja difícil resistir, é impossível. Se coloquem em nosso lugar, um time de Isinba(y)eva’s por uma seleção adversária no Mundial. Em algum momento se renderiam a esta combinação cruel para quem nasceu em tempos de carência coletiva das qualidades humanas. Mas isso é assunto para psicólogo-psiquiatra-pastor-padre-paidesanto.

Não quero antipatias, mas só assim explico os outros argentinos na Libertadores, imponente e místico Estudiantes LP e ao marcante Vélez Sarsfield.

Em La Plata eles próprios dizem que só mística não sustenta o sucesso, estão com a razão. E como custa negar razão a este grupo. Não só assisto partidas del Pincha, aprecio o conjunto completo da obra, é assim que vejo aos homens pincharratas, apreciando. E o que eles produzem em campo me encanta ainda mais, afinal é o que me interessa tanto como vocês. O Estudiantes veste cores que não me agradam, mas tem o charme que me seduz. Guardião do futebol continental honra esta posição e criou em minha mente uma imagem mítica (e exagerada, vocês já sabem) que ilustra a equipe: nobres caval(h)eiros defensores da simplicidade em meio ao futebol megalomaníaco. Mesmo adversários, devemos admitir que é uma equipe de homens admiráveis e que ainda jogam – brilhantemente – com o comando impecável de Alejandro Sabella.

Uma forte característica do Estudiantes é o domínio de jogo, e isso se explica; A bola só pode ser encantada com o galanteador time de La Plata. Entre grupos de jogadores acéfalos que a mal tratam e uma equipe sábia que a maneja com cuidado e consciência, há dúvidas da escolha? É obvio, está hipnotizada pela classe cada vez mais rara. Sob a maestria de Verón, movimenta-se com inteligência um time que não comete os erros da precipitação, sabe quando mostrar o que sabe, adepto da filosofia “esconda a capacidade, espere a oportunidade”. Filosofia de jogo, o que falta ao futebol e por isso vejo esta equipe como ensinamento e confesso sentir inveja. Parecem estar preparados para brigar pelo for, conduzindo seus adversários com a maturidade de quem conhece os caminhos. O jogo de toques envolve os adversários que a sua frente chegam a comportar-se de maneira quase infantil; E quando a beleza não quer se mostrar, eles assumem outra face e vencem com entrega.

Sua solidez o credencia ao título, aliás, dois títulos, pois é o líder do Clausura. Nesta terça feira, Sabella arrisca na 1° partida frente ao San Luis deixa fora: Angeleri, Desábato, Verón, Braña, Sosa e Boselli (preservados para o clausura, quase uma agressão ao futebol bonito).

Se futebol fosse merecimento, a taça deveria continuar nas mãos dos que fazem com que esta equipe seja tão (exemplarmente) sedutora.

Há tempos uma discussão impera na Argentina, Vélez ou Estudiantes, quem tem o melhor elenco? Lamento por quem tenta responder definitivamente a pergunta ao invés de exaltar as melhores equipes do país.

Continuaria a falar do Estudiantes, se não houvesse o centenário Vélez Sarsfield, que muitos de vocês conhecem o poder. Vélez chegou a esta edição depois de conquistar o Clausura 2009, os tempos podem não ser aqueles gloriosos, mas estão sendo agradáveis aos fortíneros.
O time tem personalidade, lhe sobra. Talvez ainda lhe falte a maturidade que atingiu o vizinho de La Plata, mas sua presença não deixa de ser impactante por onde passe, com um elenco que beira o deboche com quem sofre com carência de talentos em sua equipe de coração.
Montoya, Díaz, Domínguez, Otamendi, Papa, Cubero, Somoza, Zapata, Maxi Moralez, López, Martínez, Barovero, Lima, Torsiglieri, Razzotti, Bella, Rolando Zárate e Ariel Cabral. Estes serão os convocados para enfrentar a incógnita do Chivas, em Guadalajara. Para muitos custaria escolher quem receberia as camisas titulares… mas isso é problema de Ricardo Gareca. Diria que possui chapa de candidato, assim sem traduções. É só ver o Vélez em campo, se entende em qualquer idioma, sem explicações.

Para encerrar, deixem na porta aqueles pré-conceitos que lhes falei e assistam a bela maneira como jogam as melhores equipes argentinas de 2009/2010. Nós aproveitaremos nossa vantagem e assistiremos apreciando cada jogada.

O clima de um GreNal e eu.

Tenso.

É impressionante esse negócio de rivalidade. Mais ou menos uma semana antes o pessoal já começa a ficar tenso. Os mais corajosos apostam e fazem previsões de matanças e goleadas. Os comedidos ficam quietos e mal do estômago. Os mais normais fingem que o rival é o favorito, falam que provavelmente vão perder, só pra disfarçar o nervosismo. Por dentro tá todo mundo enlouquecido pra ver o time ganhar e ficar durante uma semana incomodando todo mundo que atravessa no caminho, independente se curta futebol ou não.

E nesse domingo o Gigante me esperava, para começar a festa. Fazendo parte de um pouco de cada um dos três tipos de torcedores que citei acima, eu apostei com um amigo, fingi que achava que o Grêmio venceria e fiquei mal do estômago. Uma beleza.

Rumei pela Padre Cacique no exato momento em que se fechava a barreira para a torcida azul passar. Mas que sorte hem. Meia hora na chuva. Eu deveria ter sentido que não indicava coisa boa.  Ganhei uma capa de chuva, afinal. Vesti e continuei caminhando. Entrei no portão 6 mais cedo que o usual. Sozinha. Vaguei pela Camisa 12 e pela Popular mas não encontrei ninguém. A superstição me dizia que estava dando tudo errado. Logo, entretanto, encontrei as gurias. Sorri e fui até elas.

Papo vai, papo vem. Começa o jogo.

Primeiro tempo foi a coisa mais horrorosa que eu já vi. Jogo truncado. Defesa gremista péssima, ataque colorado mais péssimo ainda. O jogo não rolava. Lá pelos ultimos 15 minutos, o Inter passou a atacar um pouco mais. Até criou algumas chances. Mas nada de muito sólido. Mesmo assim, com o fim do primeiro tempo, a torcida estava animada e acreditava que o fim do dia poderia ser feliz.

Ledo engano.

Além do Inter voltar com a mesma falta de vontade do início da partida, o Grêmio voltou revigorado. Silas colocou Adilson na partida. E aí começou o desastre. O meio de campo deles se movimentava muito bem, anulava toda e qualquer possibilidade do Inter dominar a bola. Isso foi dando cada vez mais espaço. Os jogadores colorados foram se perdendo cada vez mais. Tava feito o baile. Era questão de minutos até sair o gol gremista. E ele saiu.

Daria pra mudar a coisa de figura. Óbvio que dava. Afinal apenas uma semana antes havíamos virado um 2×0. Mas dessa vez era diferente. O time colorado em campo não era um time. Era uma vergonha. Erros absurdos de passe. Linhas de impedimento muito tensas e ineficazes. Marcação toda errada. Zaga inexistente. Enfim, depois de alguns minutos, todos vimos que não tinha mais volta. Estávamos fadados à matança.

Ainda deu tempo para mais um. E a bem verdade é que, apesar de todos os indícios. Aquela tarde era do Grêmio. Afinal depois do tempão que estavam sem vencer um clássico, era hora de deixá-los lembrar como é a sensação de vencer um (não me controlei). O Inter não fez por merecer nem mesmo um empate, a não ser nos últimos 15 minutos do primeiro tempo, o que não é o bastante para usar como argumento. Fim de jogo. Imensa raiva. Imensa decepção. Imensa tristeza. Limitei-me a prestar atenção em outros detalhes do cenário, que não o futebol propriamente dito. O gandula discutindo com o Mário Fernandes. Os caras da maca que “derrubaram” Leandro. Os pitís de D’Alessandro. A chuva. Meu cabelo. Qualquer coisa.

Perder um GreNal já é uma das tragédias do futebol gaúcho. Mas perder um título para o Grêmio é uma tragédia maior ainda. Dói na alma. Toda aquela semana anterior de tensão se repete na posterior à derrota, agora em forma de constante vergonha. Muitos sorrisos amarelos e muitos frases envolvendo a palavra “Libertadores”. Confesso.

É o jeito gurizada. Bola pra frente. Quarta-feira temos uma batalha pela frente e precisamos de muita resiliência para chegarmos lá com tranquilidade. E vamos que vamos. Porque, mesmo com todo o misto de emoções que eu experimentei ontem, a maior certeza que tenho é que semana que vem estarei adentrando nos mesmos portões e sentando nas mesmas arquibancadas, com o mesmo escudo vermelho com o S o C e o I entrelaçados brilhando no meu peito, berrando a plenos pulmões.

Saudações de uma torcedora decepcionada, raivosa mas completamente apaixonada pelo Inter.

O que lhes espera

"El Pistolero", James Rodriguez, colombiano habilidoso e perigoso em bolas paradas.

A Libertadores 2010 não me agrada, e devo alertá-los sobre isso algo. Os que a disputam não deveriam se entusiasmar. Sem passar pela Bombonera, vale pouco a conquista. É como amar a menina linda da escola que tem o pai mais temido da província, você pode ter sua simpatia, mas se não passar pelo pai… Sempre alguém perguntará: “Ok, mas e o pai dela aprovou?”, e você não terá o que dizer.
Podem não acreditar, mas meu carinho pela Libertadores é tão grande que a quero sempre por perto, tipo mãe protetora, quero saber de suas companhias e se pudesse, e Boca permitisse, não a deixaria sair de casa (tudo bem, se vestir cores millonárias, me causa problemas…) Mas outro dia, com tempo, conversamos sobre minhas impressões sobre La Copa.

Boca resolveu me deixar assistindo de casa a edição 51 do campeonato que mais gosto, mas do 6° andar da América se tem boa visão do quintal e o Senhor dono deste espaço me convocou para falar um pouco dos argentinos que continuam na disputa: o clássico abusado Banfield, o místico e imponente Estudiantes LP e o forte Vélez Sarsfield. Como bônus por bom comportamento, posso falar também sobre o tradicional Nacional, que luta solitário com a força do futebol uruguayo.

Colorados, é atrevido – e sério – esse Banfield. No mínimo é incômodo enfrentá-los. Chegou as oitavas de final pela 2° vez em sua história depois de ganhar espaço em casa com coragem, disciplina e agilidade, conquistando o país em 2009 (atual campeão do apertura).
Clássico, el Taladro joga no típico 4-4-2 indiscutível, com o “líder futebolísitico” Erviti alimentando a equipe, além de ser grande arma para bolas paradas, conta ainda com o talento juvenil (18 anos) e decisivo mande in Colombia de James Rodríguez, artilharia do goleador Tito Ramírez e Cristian Lucchetti assegurando resultados no gol. Quando seus astros estão alinhados, a velocidade que impõe aos seus contra-ataques pode ser fatal.

“Primero el cero en mi arco y después a mirar el de enfrente”, já declarou Emperador Falcioni, treinador da equipe. O Banfield não é uma equipe agradável para assistir, complicada e aplicada, passou a esta fase sem demonstrar o bom jogo que é capaz de produzir, não é a mais forte das equipes argentinas e – dizem eles! – torcem para encontrar a legião argentina do Internacional com a face recente que conhecem. Por momentos vem abusando de bolas longas em busca de Ramírez, e se distanciou da equipe que jogava explorando as alas, assim acaba perdendo forças em um tumultuado jogo centralizado. Apesar de chegar sem boas apresentações, Banfield apresenta bom repertório para seguir construindo história.

Aviso – tenho cuidado por vocês como por filhos que vivem longe de casa – cuidado com o treinador Taladro. Respeitem Emperador Falcioni. Se impõe com uma figura que nunca sorri, e com essa rigidez construiu o melhor do Banfield. Se ele sorrir ao final, não temam mais, porque é sinal que estarão chorando. Me entendam caros colorados, tenho amor tão grande pela Copa, e agora que ela está residindo em Argentina, quero (muito) que continue, por isso entre o vermelho do social que tanto lutei, fico com verde que ainda me dá esperança.

Un gusto conocerte!

Prosseguindo com a formação do nosso time de Indiretos, hoje apresentamos a nossa representante portenha Nani Albuquerque! Segue o texto dessa figuraça, e acompanhem todos os textos sobre futebol argentino, principalmente agora na reta final de Libertadores.

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1986, e não poderia ter sido outro o ano em que fui escolhida para entrar em campo. O ano de meu nascimento não teria porque estar aqui, mas este dado explica muito de minha relação com o futebol.

Enquanto me preparava para estrear assisti da janela do vestiário um homem carregar um 10 gigante nas costas e derrubar piratas com a mão divina, no México. Daquela janela eu vi o enorme estádio que me aguardava e os personagens que se ajeitavam montando um cenário impensável. Nasci dona do mundo, e nessa condição já cheguei com a partida complicada. Os adversários – alguns mais raivosos – já miravam minha equipe e até hoje tentam derrotá-la dentro e – principalmente – fora de campo. Apontam as mais terríveis armas e esquecem que não somos gatos, mas temos muitas vidas.

Minha estréia se aproximava, chegou a primavera e mandaram que subisse as escadas para o gramado. Vi, com espanto, o tamanho daquele estádio que antes enxergava pela janela. Era grande, mas gigante era o 10 que o homem carregava nas costas e enfileirava vítimas deixando-as como barreiras estáticas.

Para cruzar o campo e chegar a grande área com a taça de dona do mundo embaixo do braço, meu coração não poderia pulsar com outro sangue que não em cores “azul y oro”. Acredito que foi a forma que meu treinador encontrou para me motivar durante as partidas. Era mostrar a bandeira com aquelas cores que iria para o ataque imediatamente. Só mais tarde aprendi que aquela tática chamava-se “xeneize” e seria fundamental para as vitórias que teria. É fato, me associam diretamente ao clube que amo, e entendo. Acredito que é algo como amigos que vivem juntos e passam a se comportar de maneira parecida, até mesmo seus organismos passam a agir em sincronia… Estranho para entender, não? Para quem que não vive neste nosso mundo verde cercado por 4 linhas é impossível explicar, mas para vocês posso abrir meu coração. Ele é a inspiração para minhas partidas. Como ressurgir do nada? O clube do bairro porteño sabe e, observando suas atitudes, aprendi.

Me perdoem pela falha. Não lhes contei o nome de meu amor, apesar de que pelas características, vocês já o (re)conhecem: Club Atlético Boca Juniors, assim os imigrantes italianos escolheram batizar o sentimento.

Vi meu clube em crise, enorme crise, dono do país, dono do continente e dono do mundo. Assisti Baiano, Takahara e Luiz Alberto serem pagos para vestir a camisa do maior clube do meu mundo e sobrevivi.
Porém, Deus que me presenteou com o mundo antes mesmo de nascer, continuou a me abençoar e  deu permissão para ser testemunha da magia de um representante da Sua criação. Vamos aos fatos e ao presente – do passado podemos falar a qualquer momento – sou chata com este assunto e estão avisados, mas não posso me apresentar sem lhes contar que assisto Juan Román Riquelme fazer futebol a cada domingo. Fazer futebol, porque ele não joga, ele faz o futebol, faz a história e com maestria.
Sou privilegiada e minha humildade tenta disfarçar, mas é um orgulho tão grande que em uma discussão, acredito que um fatal: “você não assiste Román” é o mais grave argumento de acusação ao caráter de uma pessoa. Dizem “Riquelmista”. Assim, “Riquelmista”! Como uma ideologia política com bandeira a ser defendida contra outra. Mas no meu caso – lembrem que ganhei o mundo em terras mexicanas, tudo é dramático – isso se complica.
Não me declaro fiel a Frente Amplia Riquelmeana, porque sou devota a San Martín Palermo, dos gols inacreditáveis e caneladas sensacionais. Creio em seu poder e sou incondicional adoradora de sua imagem. O Ser de 1,89 de altura e dimensão de super herói que comanda “la inigualable 12” e colocou Argentina no Mundial em que outra força divina conseguia deixar fora.

No meu confuso coração, a crença política e a certeza nesta devoção religiosa convivem em uma sintonia tão perfeita que, aliados, estes dois fenômenos me colocaram no 6° andar da América e no 3° do mundo. Amar este clube que é filho de um sentimento é coisa divina que se renova a cada partida para não deixar esquecer que todo milagre é possível. Milagre! Ou alguém acha que o Boca tem explicação terrena? Se defende esta tese, me deixe acreditar no sobrenatural. É a única explicação que justifica a grandeza do que vejo.

Sendo filha de pátrias latinas, meu coração tem espaço para quem lhe dá alegrias. Tenho guardadas bandeiras com nomes dos que me enchem de felicidade e estrelas, prontas para serem defendidas a cada discussão que me envolvo inutilmente. Sim, sempre inutilmente. Porque me esforço, mas não consigo seguir a frieza dos números a simplicidade dos fatos. Não lhes conto o “tipo” de futebol que me encanta porque não sei. Amo a genialidade de Maradona, Román, Garrincha, Zico, Van Basten, Maldini, Verón, Messi, Simeone e Kily Gonzalez, pouco me seduz o infantil futebol malabarista e bailarino que encanta os saudosos de quando os zagueiros que eram cones.

Começamos nossa história perto de um Mundial, nos conheceremos de maneira complicada, mas menos dramática do que quando eu assistia por aquela janela. Passaram-se 24 anos e o homem que carregava 10 nas costas vai dirigir minhas cores na África do Sul. Ele não tem o mesmo talento para enfileirar resultados positivos, o que me fez sofrer bastante, perder a vontade de me encantar e obrigou a descobrir que o amor não é voluntário.

Mantenho com minha Argentina albicelestial, uma linda relação, às vezes a queiro deixar, mas cada vez que a encontro, volto a ser apaixonada. No mais, continuo a acreditar na mão divina que derrubou piratas, e é a mesma que, um ano depois de me enviar a campo, colocou um Messias em Rosário e havia mandando uma Bruja para La Plata.

24 anos. Vocês conhecem muito bem essa história, não se enganem, sejamos sinceros e leais nesta relação desde o princípio.

Foi uma apresentação difícil e o resumo é simples: nasci dona do mundo por obra da mão divina, vivo por um sentimento profundo que me deu o continente 6 vezes, o mundo mais 3, voltaremos a nos encontrar e teremos que nos suportar.

Libertadores – Internacional garante vaga para as oitavas!

União dos jogadores colorados!

Na noite de hoje o Colorado recebeu o Deportivo Quito no Beira Rio, pela última rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América. Um empate complicaria a vida do Inter para a classificação, uma derrota seria o caos e uma vitória sanaria os problemas e levaria o time adiante.

Não seria fácil. Depois de ter arrancado somente um empate no Equador contra o Emelec, os torcedores colorados não esperavam uma grande atuação. Com certeza o Deportivo, líder até o momento, viria totalmente retrancado. E com isso o Inter enfrentaria dificuldades para abrir o placar, afinal, retranca + ataque pouco efetivo = nada de gol.

Entretanto, mal é dado o apito inicial e se vê um outro time em campo. Aquele time que deixou o Pelotas abrir 2 gols em um tempo só não estava jogando. Aquele time que não soube finalizar contra o lanterna do grupo Emelec não estava jogando também. Era um time aguerrido, a equipe que foi aguerrida o suficiente para virar um placar de 2×0. Era impressionante.

Com apenas 3 minutos abre o placar. De uma cobrança de escanteio, D’Alessandro manda a bola para Andrezinho, que ajeita a bola e chuta de canhota, para marcar um gol simplesmente espetacular (não espetacular-Wilson-Matias, espetacular MESMO). Com o gol e a torcida ensandecida, o time seguiu indo pra frente, marcando, criando, se movimentando bem. Enfim, era outro Internacional.

O segundo gol era questão de tempo. O estádio pedia que ele saísse antes do fim na primeira etapa, mas ele não saiu. Na volta para o segundo tempo o time colorado veio sem mudanças, porém nos primeiro minutos mostrou uma pequena queda de produção. Deixando o adversário se mostrar um pouco mais, foram alguns minutos tensos da partida. Porém os únicos. Logo, logo tudo estava nos eixos novamente.

Aos 15 minutos, de uma jogada de muita categoria do Kleber, Bolivar marca o segundo gol. Deixando assim a situação bem mais confortável no quesito classificação. Embora esse resultado indicasse que pegaria o Cruzeiro nas oitavas, o que não era um negócio muito bom, mas era o último dos problemas de quem estava garantindo a classificação como líder do grupo!

O jogo seguiu rolando com o domínio colorado e com os jogadores mostrando suas qualidades individuais com muita naturalidade. Alecsandro marcando e se movimentando muito bem. D’Alessandro articulando muito no meio de campo também. Guiñazu simplesmente destruindo na marcação. Kleber e Ney correndo muito pelas laterais. Bolívar – principalmente em comparação a Sorondo, que deu umas vaciladas feias – mostrando segurança na defesa. Andrezinho estava fantástico também. Todos muito bem, com exceção, talvez de Walter, que teve atuação de regular para discreta, mas não vindo a ser prejudicial ao time.

Walter cai no gramado e entra Edu no seu lugar, só para fazer bobagem e ser expulso por uma dividida violenta totalmente desnecessária. Algum tempo depois entrou Eller no lugar de Klber e Giuliano no lugar de Andrezinho, que por sinal saiu muito aplaudido. Tinha gente na arquibancada reclamando que o Giuliano não estava fazendo nada, que tinha entrado pra nada, quando, de repente, no último minuto de jogo, ele marca um golaço. E que golaço. Fim de jogo no Beira Rio.

O que chamou a atenção foi a união dos jogadores na comemoração dos gols, o que mostrou que eles estavam mesmo a fim de jogar, para provar que a equipe tem qualidade sim. Acho que o Inter está se encontrando. Está se entendendo melhor em campo. E só tende a melhorar!

Com esse resultado, o Inter escapa da Raposa, e enfrenta agora o Bansfield, da Argentina. Inter va a mi Buenos Aires querida entóóón! Dale, dale!

PS. E ainda tem GreNal no final de semana. Haja coração aos colorados!

Amigos da HP

Império prestes a ruir

Sempre ouvi que “uma mentira contada 1000 vezes se torna verdade”. Ontem foi provado que nem 27mil mentiras presentes ao Maracanã puderam fazer da esperança de um futebol menos safado virasse realidade.

Com RARISSIMAS exceções (Maldonado, Pet, Willians e Juan, por exemplo), o que se viu ontem foi uma cambada de jogador sem sangue e sem vergonha na cara. Vontade de ganhar todo mundo tem, até pq seria idiotice entrar em campo querendo perder. Mas o que essa cambada de sanguessuga nao entende, é que ter vontade de ganhar nao é a mesma coisa que demonstrar que quer ganhar!

Ontem foi ridiculo! E olha que por um instante, até o 2º gol do Caracas (golaço, diga-se de passagem) tava dando uma singela, quase imperceptível esperança de que o time jogaria feito um verdadeiro e atual campeao brasileiro. Mero engano… Adriano, sinceramente, não sei o que está pensando da vida. Ele é craque, atacante como poucos, mas a falta de comprometimento é IRRITANTE! Como pode um cara achar que faz o que bem quiser, e foda-se o resto? A culpa é dele? Não… a culpa é da diretoria q passa a mao na cabeça desse morcego pesado à arroba! Patricia Amorim ao menos acordou, mesmo q tenha se atrasado pra aula de recuperação. Vamos ver se vai cortar mesmo o barato dessa galerinha personalité, e fazer o pau comer solto de novo!

Acham que demitir Andrade adianta… Santa inocência, Batman! Culpam o Tromba de nao ter postura no caso “Pet”. Postura essa q deveria ser do câncer chamado Marcos Braz. Sim, pq o problema com o Pet nao tem haver com o Andrade. Ele nao o escalava pq realmente o gringo tava mal. Só que foi provado por A+B q ruim com ele, pior sem ele! Pet nao pode ser reserva desse time: lento e fora de forma, ele pode decidir um jogo, em bola parada ou lançamento preciso. Hoje, ele nao eh titular, pq a direitoria nao quer q seja! Daí quem aga é o Andrade… Assim como vai pagar, pq parece q vai ser demitido por esses dias, juntamente com todo o departamento de futebol!

Agora, classificar na Liberta, só indo na aula de matemática. Racing nao pode ganhar por 4 gols de diferença, Cerro nao pode ganhar por 3, e Inter nao pode empatar contra o Deportivo Quito. 3 resultados nem um pouco imposiveis de acontecer… só que necessitar dos 3 ao mesmo tempo, complica.

Entao, o jeito é adicionar essa aqui na lista de amigos, e rezar um bocado. Mesmo que essa reza seja pra nao classificar, e nao fazer a gente pagar um mico maior ainda na 2ª fase…

Fui!

Ganhou quem quis

A festa vai ser em Chatuba!

A grande verdade é essa. O campeonato carioca, maquiador de deficiências dos quatro grandes do Rio, foi conquistado pelo menos acreditado, mais esnobado, porém o que mais teve vontade de vencer e levar mais um troféu pra casa.

Antes do campeonato começar, falou-se muito de Fla, Vasco e Flu. Um por ser o atual campeao brasileiro, o outro por ter se reestruturado e feito uma Serie B intocável, e o outro por ter um bom elenco e ter demonstrado sua força na briga contra o rebaixamento iminente. E o Botafogo? Fez o que ano passado (além de ajudar a dar o título pro Fla, vencendo o São Paulo… hahaha!)? Fez nada! Não entrava 2010 com créditos de absolutamente nada. E aí, caros raros amigos leitores dessa budeguinha abandonada, o Bota provou que você ganha um torneio em 2010, jogando em 2010… e não com o que jogou em 2009!

Isso porque no início do Carioca, levou uma ensaboada do Vasco por meia duzia x 0, praticamente provando que era o mais fraco dos 4 mesmo. Só que, aliado ao retorno de Papai Prancheta, essa derrota meio que ligou o Botafogo! Não necessariamente contra os times pequenos, pq qualquer um que jogasse 40 ou 50% do que podia, ganhava facil. Mas nos clássicos é que dava pra notar a diferença que determinou o título.

Foi com certeza o time que mais deu sangue nas semifinais dos dois turnos. Muito pra provar que os 6×0 nao passou de um susto, e também porque foi o primeiro (e… unico?) que entendeu sua limitação, e soube jogar com o que tinha de melhor, mesmo que fosse muito pouco para os padrões analíticos desse certame infestado de gatos mestres (inclusive o que vos enche o saco!). Mesmo com o sacode do Santa Cruz, nao se deixou abater, e continuou focando o estadual, que por mais menos importante pareça comparado a copa do Brasil, inegavelmente é o mais facil, portanto, um título mais palpável, e de que eles tanto precisavam.

Nesse fim de semana, refez-se o ditado: “Um raio não cai quatro vezes no mesmo lugar”! Jogou pra ganhar, e ganhou. É culpa do Botafogo os outros três viverem na maciota, subindo pra Chatuba, ou comprando todo mundo como se a vida fosse um grande Elifoot? Nem um pouco! A taça tava ali, onde sempre esteve…

Ganhou quem pode, ganhou quem mereceu… Ganhou, quem quis!

Fui!

Esferinhas da discórdia

Bonitinha, mas ordinária...

Finalmente, a novela mexicana radicada no cofre da Caixa Econômica Federal teve seu último episódio nessa quarta. A taça em forma de artefato medieval de exercício do pompoarismo finalmente tem dono, e é o São Paulo. Taça essa que foi concedida (segundo a CBF), pelo time do Morumbi ter sido o primeiro pentacampeão brasileiro.

Eu gostei dessa palhaçada ter finalmente chegado ao fim. Todo mundo, até mesmo nós flamenguistas estávamos cansados de saber que a CBF não julga o Flamengo como campeão em 87 por ter ganho um torneio organizado pelo São Paulo Futebol Clube e que reunia os melhores time da Serie A, e sim somente o Sport que venceu a Serie B. Então, em que diabos mudou a entrega dessa taça, com exceção do espaço físico da sala de troféus do São Paulo?

Se pararmos pra pensar, não mudou absolutamente em NADA a história. Acho engraçado pra cacildis nego no Twitter achando que a polêmica teve fim, que tudo acabou, que a historia sem fim de 87 teve… o fim. E concordo! Teve fim em 87 mesmo, ao menos pra mim.

Acho tão inocente, beirando a burrice, quem achou que a taça iria para o Flamengo. Quem em sã consciência achou que a CBF ia peitar decisão judicial e tirar os créditos (cof cof…) do Sport? Mas mais inocente ainda, e extrapolando a burrice extrema, é quem acha que nós flamenguistas passamos a partir de hoje, a nos auto-intitular pentacampeões em 2009. Odeio ser repetitivo, mas… NÃO MUDOU EM NADA!

Continua tendo gente contra o hexa do Flamengo, e nós continuamos nos achando hexa. Nós e quem reconhece a presepada da CBF em 87 em tentar mudar regulamento no meio do campeonato. Inclusive o próprio São Paulo que fez coro contra a CBF em 87, mas agora marotamente vai deixar de fazer. Ta na dele? É obvio que está! Qualquer um faria o mesmo… O que prova que qualquer um pode mudar de opinião quando outra opinião passar a beneficiar a si próprio, mesmo que isso signifique cuspir na própria assinatura.

Enfim: essa taça não acrescenta em nada o Hexa do São Paulo, e não tira em nada o Hexa do Flamengo. Deu pra sacar?

Bem vindo ao mundo novo, quem acha que mudou o cenário esportivo nacional!

Abrá!

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