É, coração tem que ser forte!
Na boemia costumeira da Cidade Baixa, em Porto Alegre, sempre se vê futebol. Mas só uma final de Libertadores para simplesmente lotar todos os estabelecimentos. E foi basicamente o que me esperou na quarta-feira. Colorados por todos os lados. Olhares ansiosos procurando apoio uns nos outros. Bandeiras tremulando. Gritos de guerra daqueles que não suportaram esperar e afogaram-se no álcool. É o Inter!
21h30. Atrasada. Procurei, procurei e só fui encontrar mesa vaga em um bar e em um lugar: abaixo da televisão. E viva o torcicolo. Mas pro Inter vale a pena.. Vale muito.
Começa então o ritual, estirar a bandeira às costas da cadeira, chamar o garçom, pedir incontáveis garrafas de cerveja para acalmar os nervos, roer as unhas, olhar loucamente para o celular,… Enfim.
Alguém aumenta o som. Milton Leite começa a falar. Eu não entendo muito bem o que ele fala, estou vidrada nos guerreiros colorados que estão entrando em campo. Tento olhar um de cada vez, mandando boas vibrações para eles. Não consigo. Mas foco alguns segundos nele. O predestinado. Aquele que os anjos alvirrubros iluminaram MAIS UMA VEZ. Giuliano.
Murmurei baixinho “Mais um hoje, guri.”
E não é que funcionou?
O jogo começa e meu sorriso só aumenta ao constatar a garra que nossos jogadores mostraram. A vontade de vencer que emanou de cada um deles. Os passes precisos e rápidos que sempre quisemos ver. A frieza das jogadas ensaiadas. Os rostos contraídos de dor quando caíam naquela grama sintética ridícula.
Nosso principal atacante cai em campo. Lesionado. Teve que ser substituído. Com leve contrariedade vi Everton entrando em seu lugar. Mas o time seguiu no mesmo ritmo e pouco me preocupei com a falta de Alecsandro.
E, foi em meio a toda essa confiança que ia se estabelecendo na minha cabeça, que eu vi, com muita surpresa, a bola entrando no gol de Renan aos 46 do primeiro tempo. Como assim? Foi do lado errado!
Mais um vacilo do nosso goleiro..
Sem conseguir pensar direito, vi passar o intervalo com indredulidade estampada no meu semblante apenas. Mas começa e etapa complementar e volto a sorrir. Não mudou nada. Quem sabe até mais vontade causou no colorado, aquele gol injusto.
Everton, sem ter feito muita coisa, sai para a entrada de Rafael Sóbis. Roth conserta o erro de substituição. E os minutos iam passando e a tensão ia crescendo. Mas então o tempo parou. Na primeira sua primeira participação, Sóbis começa a jogada do gol. Sóbis. Kléber e ele. Giuliano mira com categoria e marca.
Não vi mais nada. Não senti mais nada a não ser um embrulhado de emoção que travou minha garganta. GOL!
Mal a euforia começava a baixar e gol colorado de novo. D’Alessandro cobra falta, a bola volta, ele lança de novo, Índio escora de cabeça e o capitão Bolívar completa no gol. VIRADA!
As mesas vão a loucura. Os secadores, até então incógnitos, delatam-se pelo seu desespero e raiva. Me limito a rir e pedir mais uma cerveja. Até o apito final, somente um pensamento vinha à cabeça, as eternas palavras de Pedro Ernesto Denardin após a primeira final no Morumbi, em 2006, logo após o primeiro gol de Sóbis…
“E o Inter começa a pintar a América de vermelho!!!!!!!”

Publicado por Fabio em 13/08/2010 às 18:19 r r
Grande vitória do nosso time! Começamos não só a pintar a América de vermelho, mas o mundo. E queira Deus que no final do ano possamos ver o nosso Inter no lugar mais alto do planeta. =D
Grande beijo.