13 ago
Começando a pintar a América de VERMELHO.
11 ago
Súplica – O Retorno
Nessa tarde, antes da primeira batalha que o colorado vai enfrentar buscando a América, não pude deixar de buscar, ler e me emocionar novamente com o texto de Emanuel Neves “Súplica à América – 04/08/2006″ e é mais ou menos algo do tipo que venho fazer neste momento..
Essa Libertadores está rasgando meu peito de emoção. Está roubando lágrimas dos meus olhos nos últimos jogos. Está me enlouquecendo.
Com o coração na mão. Completamente em pedaços. Emocionado. Nervoso. Eu visto o manto sagrado. Alvirrubro. Aquele especial que todo mundo tem o seu. O meu é a camiseta retrô número 5 do Falcão. Linda. Me eleva pra tudo aquilo que meu pai me ensinou, na minha triste infância dos anos 90. (“Tri Invicto, filha, ninguém mais foi, só a gente”).
Estico a outra mão para a bandeira que exibe orgulhosamente um S um C e um I entrelaçados em vermelho e branco. Vivamente felizes por estarem prestes a comemorarem algo. A serem apertados, sovados e torcidos por mãos nervosas que aguardam o apito final.
Lá vou eu. Confiante? Sempre. Emocionada? DEMAIS. Suplico, novamente, a todos os anjos e deuses do futebol, que nos vem louvando em meio a esse caminho, sempre difícil, sempre sensacional que é o caminho da Libertadores. Iluminem o nosso caminho, iluminem as chuteiras coloradas que duelarão no gramado sintético dos mexicanos.
Guiem os olhos de Alecsandro, Taison, Giuliano, D’Alessandro, quem sabe Sóbis, Andrezinho ou qualquer guerreiro do Inter para que enxerguem o caminho dele. Daquele que vai roubar as minhas cordas vocais. Daquele que fará tremer Porto Alegre.
O gol.
(Pode ser no plural também, não vou reclamar.)
—> A quem se interessar, o link do texto fantástico que eu citei: http://perinaceo.blogspot.com/2006/08/splica-amrica-04082006-1953.html
28 jul
É, Libertadores meu amigo!
Tenso.
Um jogo decisivo é um jogo decisivo. Independente de para qual campeonato for. Mas é claro. Óbvio. Sempre será tenso e emocionante. Mas a Libertadores…
É, meu amigo, essa competição mexe demais com o coração do torcedor. O porquê, exatamente, não sei explicar. Mas é.
Prestes a desligar o computador e começar a caminhar pela Padre Cacique, buscando os portões do Beira Rio, eu escrevo este texto com as mãos um pouco trêmulas. Quero escrever aquilo que ninguém aqui no trabalho quer me ouvir falar, aquilo que só os colorados (e, no caso, são paulinos também) que estão se aprumando para o jogo neste momento conseguem entender.
As horas que antecedem um jogo decisivo, principalmente quando se vai estar presente nele, é algo simplesmente inexplicável. Não reflete apenas no psicológico, influencia no corpo também. Além das imagens que tendem a permear nossos pensamentos, as pernas bambam, o coração dispara, os pelos se eriçam.
Lembrar do que já conquistamos uma vez conforta o coração exaltado, mas não totalmente, porque tudo é novo. Mesmo com todas estas coincidências que nos acompanham neste campeonato, não é igual. A gente nunca acostuma, nunca aprende a acalentar os ânimos. Sempre nos deixamos dominar pelo nervosismo. Aquele nervosismo que só os apaixonados por futebol conseguem consentir. Outros reles mortais simplesmente acham ‘um absurdo’.
Não tem nada de absurdo numa paixão tão verdadeira.
Eu simplesmente me jogo nesta emoção toda que me puxa para o Gigante e me vou. Seja o que os Deuses do futebol queiram!
Mas, antes, peço que os anjos de asas alvirrubras estejam conosco. Os mesmos que estiveram no céu de Porto Alegre na noite de 16 de agosto de 2006. Sorriam para a massa vermelha que estará cantando e fazendo o Beira Rio rugir. Com certeza sorriremos de volta.
Até mais!
28 mai
Enfim Fossati fora.
Jorge Fossati não mais treinará o Internacional. A direção colorada ainda não voltou do Rio de Janeiro, ficou por lá para acertar os detalhes da demissão do uruguaio. Hoje a tarde o ex-comandante não treinou a equipe, ficou entendido que Fernando Carvalho conversará com ele quando voltar do Rio, antes mesmo de voltar ao Beira Rio.
Com isso, os nomes cotados já são vários: Abel Braga, Mário Sérgio, Cuca, Nelsinho Baptista, entre outros. A diretoria já teria, inclusive procurado o técnico campeão do mundo com o Inter, Abel, mas este teria declarado praticamente impossível sua saída do Al-Jazira.
Bolívar, o representante dos jogadores, declarou que eles querem Mário Sérgio. O carioca comandou o Inter no final do ano passado e levou o time à vaga da Libertadores e ao vice-campeonato, seria um bom nome.
Especulações, especulações, só saberemos quando for anunciado! Aposto em Abel Braga, mesmo com a negativa divulgada. Anotem.
Outra: Renan está de volta ao colorado! Com a confusão do jogo contra o Estudiantes podendo punir o reserva Lauro e Muriel estando machucado, o Inter não poderia dar-se o luxo de continuar na Libertadores com apenas um goleiro ‘operante’, podia? Com essa necessidade repentina, o clube teria novamente procurado Renan e desta vez teria obtido sucesso.
Fonte: Rádio Gaúcha.
24 mai
‘Quem com Fernandão fere, com Fernandão será ferido’
Meu caro amigo bambi Rodrigo Seledon me veio com a frase do título na semana passada. Se formos falar em questão de Libertadores, eu tenho certeza de que o Tricolor paulista virá com sede ao pote, ainda mais depois de 2006. Mas não vi muito isso na partida de hoje, a não ser a veracidade do título, porque sofremos um gol dele. Sim. Primeiro gol são paulino de Fernandão foi em cima do Inter, DENTRO do Beira Rio. Tenso.
A derrota de hoje pode-se atribuir a Fossati, pelo menos grande parte dela. Ele escalou o time errado, deixou peças fundamentais no banco que, tudo bem departamento médico aconselhou que fossem poupadas, em função do rendimento e tudo mais, mas não precisava deixar um esquema tão estranho.
Colocou Eller na lateral e Kleber no meio de campo, o meio sem D’Alessandro nem Andrezinho e Everton e Walter na frente, dois jogadores que não se entrosaram muito bem na partida e, com tudo isso, o resultado não foi muito bom.
O Inter sofreu um pouco no primeiro tempo e deixou o time paulista, que não estava atacando muito, abrir o placar.
No segundo tempo, ainda sem modificações, o time da casa, mesmo ensaiando uma reação, se deixou dominar e passou a dar mais espaços para o adversário, que aproveitou para ser mais efetivo no ataque. Aos 15 minutos sai Eller para a entrada de Andrezinho, um pouco depois saiu Sandro para entrar Alecsandro e Walter para entrar D’Alessandro, última substituição essa que gerou vaias da torcida. Não pela entrada do argentino, mas pela saída do atacante, que estava bem na partida.
Enfim, não somos técnicos.
Com as mudanças o time realmente ficou melhor, mas logo sofreu o segundo gol e se abalou. Gol este que doeu mais por ter sido marcado pelo ex-capitão, que embora tenha sorrido e acenado frente aos gritos colorados, deixou transparecer que superou o Inter, o que é muito triste para a torcida vermelha, que nunca na vida esquecerá Fernandão.
O time pressionou até o final da partida, mas já era tarde para mudar o destino do jogo. 2×0 para o São Paulo. Nenhum ponto. Segue o baile.
Quanto à Libertadores, não acredito que esse jogo tenha sido determinante, sinceramente, será outro momento, outra escalação (se Deus quiser, hehehe) e outra competição! Vamo que vamo!
Os gols e os lances:
22 mai
Lições de uma vitória que derrota
Neste espaço fiz uma quase declaração ao Estudiantes de La Plata, já contei meu segredo sobre como me seduz este grupo. Admiro o clube, sobrevivente representante do futebol simples, um clube enorme que conserva o ar da província – no melhor sentido.
Não sigo os ensinamentos do treinador da seleção do Brasil, então não tenho compromisso com o patriotismo. Natural de La Republica de La Boca, fui pinchada pela equipe de La Plata. Tive problemas por este deslize, que não abalou em nada meu sentimento xeneize, só mostrou como é perigosa a sedução.

Que entendam como melhor lhes interessar – já que cada um lê de acordo com o que quer responder – Estudiantes mostrou que a derrota nem sempre é de quem a merece. Maldito 88’, duas vezes ele, campeão eliminado por gols no final das duas partidas, perdeu vencendo. Uma equipe sensacional e dois minutos fatais.
Há tempo considero a melhor equipe do continente, e um gol escondido na fumaça não mudará minha modesta opinião. Da partida todos sabem, e não estou aqui para análises profundas, embora questionem o sábio treinador Sabella que ao nos presentear com Angeleri em campo, acabou por deixar sua equipe mais defensiva, permitindo maiores – frágeis – investidas do adversário. Não o condeno, Pincha apostou tudo, lutou em duas frentes, o cansaço jogou contra a equipe que se entregou de alma em todas as partidas dos dois campeonatos. Foi a campo com todas as forças, sem abdicar de suas características ou perder sua essência. Quem acompanhou a equipe sabe, era evidente o desgaste e limite físico a que chegou – não esqueçamos que vem em alto nível desde 2008, com a mesma base.
Lembram que confessei minha debilidade? Equipes com homens de caráter, personalidade, maturidade e talento. Pois é, não estava enganada, mesmo com suas últimas forças, valentia lhes sobrou. Fui orgulhosamente ser seduzida por eles.
A primeira partida foi perdida ao apagar das luzes, e a segunda seguia plenamente controlada pelos caval(h)eiros até que seus benditos torcedores prenderam fogo na partida e prejudicaram seu goleiro com a própria paixão. Para alguns, algo normal, para outros, situação que justificaria a paralisação da partida, ou quem defende que a arma veio da própria casa e tudo estaria resolvido, a polêmica não terminará logo.
Confortavelmente sentado e emocionalmente centrado, se pode julgar e condenar a todos, sem o mínimo de culpa ou responsabilidade. Mas neste ponto aparece o que sempre dizem os educadores, faltam limites. Limites. Pelo menos às bobagens que saem a falar a quem (não) queira ouvir. Mas isso é pedir demais, me conformei. Aprendi.
Após eliminações, começa o espetáculo dos analistas especializados em resultados prontos. Todos sabiam que seria assim, claro que sabiam. Aqueles homens jogando? Mero detalhe, eles já sabiam – não falam antes para não estragar a sua surpresa. E entendem, de tudo. E tem certeza, de tudo. Que não deveria ter terminado assim, que o futebol é festa, que um menino mal criado fez feio na saída, e que o visitante muito educado e inocente, foi covardemente agredido.
Mas eles já sabiam disso também, porque houve uma criação nos primórdios na humanidade (nas cavernas ainda): uma palavra chamada “catimba”. Ela é usada toda vez que faltam argumentos para admitir a capacidade do outro ou para justificar seus próprios delírios. Para compor com esta invenção, houve outra, acredito que desta mesma época, o coitadismo. O outro é bandido, contra os perseguidos, menosprezados – porém, superiores.
Eles falaram: “é muito mau aquele menino, e os amigos dele não sabem perder.” Porque além de futebol, entendem de psicologia, sociologia, medicina, pedagogia, arte, história e o que mais aparecer. Ciente disto, tentei me conformar e mais uma vez aprender. Não podemos contra eles. Eles sabem, eles julgam e eles condenam. Ok.
Ficamos assim? Desculpem decepcioná-los, não sei perder. Dizem que se aprende com a repetição, porque acostuma, eu não acostumei, não aprendi, não sei. Não sou boa perdedora, mau caráter, me auto-acuso, se assim quiserem. Não aceito derrota, quero logo a revanche e pior ainda (isso é inaceitável), vejo imagens dos acontecimentos (captados pela televisão) desde o início. É isso, aí está o problema! Vi que o menino mau não é o monstro feio, e para desespero dos que já estão decepcionados comigo, me senti muito parecida com ele.
Sentir-se ofendido por sua gente, defender o sentimento da arquibancada. Me auto–acuso do que for para satisfazer as pessoas de bom coração que ficaram horrorizadas com a reação de alguns jogadores do Estudiantes, mas repito, sou orgulhosa de ter sido seduzida por eles. Paradoxalmente, doeu na minha alma. Quem que tem ídolos vai entender. Você admira alguém, acredita que tenha as melhores características que alguém pode ter, aí a pessoa – após anos – se revela diferente, é triste e espero que seja apenas um erro de interpretação de minha parte…
Pela triste lógica do futebol (feliz pelo meu lado torcedora que estará livre (?) da tentadora sedução), este grupo será “desfeito”. Clemente se aproxima de minha Republica, Angeleri pode seguir ares mais distantes do que eu gostaria, Boselli deve reforçar a colônia argentina na Europa… Mas para a sorte dos pincharratas, seguirão com a magia da Bruxa, Cellay deve continuar e com a mística que sabem sustentar, outros belos grupos serão montados e seguirão no topo.
Conto mais um segredo (descobri na quinta feira), é tão bela esta equipe que o futebol não queria eliminá-la. Ficou envergonhado porque perdeu para uma chegada da sorte e – para tentar amenizar o golpe – escondeu o gol adversário em uma nuvem. Bonito seu gesto.
Quem nasce, perde. Livros, canetas, conforto, vergonha, malas, celular, dinheiro, educação… Todo mundo perde, alguns se acostumam a perder e outros acham que tem que saber perder (não coincidentemente, os que mais perdem)
Maus perdedores, maus vencedores, todos maus. Não sabemos nada, eles sabem. Mas só nós entendemos como revoluciona nosso ser e desperta o mais profundo instinto perder para um pequeno ou vencer a um gigante. Pior que ser mau perdedor, é ser mau vencedor, mas compreenda-se, talvez seja a falta de costume.
Triste eliminação do Estudiantes, mais triste deve estar a Copa Libertadores, que não ficará nas mãos da equipe que conquista.
11 mai
Eu mulherzinha e o meu Colorado das glórias
Mulheres tendem normalmente a serem malucas. Assumo, somos, oras. Temos mil paranóias involuntárias, pessimismos malucos, nervosismos sem cabimento, cobranças em demasia e outras cositas más. A mente feminina é diferente, nós tentamos abraçar todos os aspectos da vida ao mesmo tempo, o que resulta, muitas vezes, num colapso da razão, por isso parecemos (somos) completamente loucas.
E não bastasse eu ser mulher e já vir com tudo isso de fábrica, eu ainda quis trazer, de bônus, a loucura dos homens possuem: o amor pelo futebol. Aquilo que é capaz de me deixar mais maluca ainda. Aquilo que é capaz de tirar o meu sono em pleno domingo do Dia das Mães, depois de uma noite de sábado mal dormida em função da gripe. O futebol.
Mais especificamente, no meu caso, o Sport Clube Internacional.
E eu liguei a TV e assisti à estréia do meu time no Campeonato Brasileiro, tapada até as orelhas, tomando um chazinho de mel com limão. Isso sim é amor. E eu vi foi, como de praxe nos últimos anos, uma péssima partida de abertura de campeonato. O Inter, focado completamente na Libertadores, entrou em campo com um time misto que até ensaiou um jogo duro, mas logo cedeu às jogadas do Gladiador Kleber, do adversário da tarde, o Cruzeiro.
O atacante celeste brincava de chegar na nossa área com facilidade, enquanto que nós tentávamos, com pouca eficácia, barrá-lo e igualar o jogo. O primeiro gol foi da raposa e saiu de um pênalti de interpretação do árbitro, mas logo o colorado igualou, com gol de cabeça de Taison.
Mas a superioridade do adversário não deixou margem para um empate e, de novo Kleber marca e define o placar da partida. 2×1.
Continuando o tabu de estréias ruins, o Inter foca todas as suas atenções no confronto da próxima quinta-feira, contra o Estudiantes, pelas quartas-de-final da Copa Libertadores da América, no Beira Rio. E eu, em meio a loucura de me preocupar com o mundo todo, me vejo com mais uma bomba nas costas. Sorte que eu tenho um coração forte…
3 mai
Inter vence, mas vence pouco.
Assistir a um GreNal que já começa 2×0 para os co-irmãos é algo tenso. Mas é algo que tem de ser feito. Não tá morto quem peleia, como se diz aqui no Sul. E então nós fomos até a Azenha na tarde de hoje para vencermos do Grêmio. Era uma tarefa difícil. O tricolor, dentro do Olímpico costuma se achar o maioral e complicar a vida dos adversários. Mas não a do Inter.
Logo que o apito inicial foi dado e os times correram seus primeiros metros no campo, deu pra ver a que tinha vindo o time Colorado. Incrivelmente, o time estava certinho, se movimentando bem, era claro que logo sairia um gol. E ele saiu. Giuliano marcou logo aos 9 minutos, no rebote de uma cobrança de falta (ver vídeo abaixo).
Esse gol deu um gás e o primeiro tempo foi pontuado por ataques colorados e defesas fantásticas de Pato Abbondanzieri. Se tivessem continuado assim no segundo tempo, com certeza essa taça não estaria nas salas tricolores neste momento.
Mas o Inter diminuiu o ritmo no segundo tempo, claro, com méritos para o adversário, que soube se colocar melhor em campo e marcar os colorados com mais eficácia. Não deu para aumentar o placar. E o final foi que o Grêmio ficou com a taça. 1×0 não era o bastante. Depois de terem vacilado feio em casa, o time precisava ser MAIS do que vencedor na tarde de hoje. Precisava ser um grande vencedor, precisava vencer e vencer com uma vantagem maior, além de não tomar gols. Foi quase tudo certinho, só faltaram gols.
É com muito pesar que eu escrevo Grêmio Campeão Gaúcho 2010, mas confesso que é com um pesar menor do que poderia ser, caso tivéssemos perdido essa partida também. Afinal nós vencemos. Vencemos pouco, sim, mas vencemos. Perdemos o título, mas perdemos com ares de quem socou o rival na sua própria casa, mesmo que não apropriadamente como deveria. Essa vitória, mesmo que ineficaz, nos dá um sorrisinho de canto de boca para enfrentamos os argentinos do Banfield na próxima quinta-feira.
Nem tudo está perdido. Ainda temos outra Batalha para lutar.
E ela se chama Libertadores.
29 abr
Tradição, talento e sinceridade
Admitam, pelo menos para si mesmos: enfrentar o futebol uruguayo não é o que deseja quem quer ter um sono tranquilo. Gostando ou não, todos no mínimo respeitam quando estão frente a um rival oriental.
Conversando com um amigo, concluímos, o Uruguay é um fenômeno. Fe-nô-me-no. Ou haverá outra terra que revele tantos bons jogadores em uma população tão pequena? Simples, questão de proporção. São três milhões de habitantes, 8 Libertadores, 14 Copas América, 2 Copas do Mundo, 2 Olimpíadas e 2 das maiores equipes da América. Os frios números comprovam que a força e o talento genuíno dos uruguayos superam a mentalidade muitas vezes amadora de seus dirigentes.
O passado é belo e glorioso, mas não se pode viver dele; Voltar a cena principal com autoridade de quem já conquistou tudo, é o desafio que se apresenta. Com a qualidade que possuem aliada ao necessário profissionalismo, não se deve duvidar deles.
Nas oitavas de final da Libertadores, cabe ao tricampeão Nacional representar esta tradição. Clube que auto define-se como primeira equipe criolla do continente, nasceu em 14 de maio de 1899 com a fusão de Uruguay Atlética Club e Montevideo Football Club, tendo conquistado a América e o Mundo em 1971, 1980 e 1988. Por sua história já seria um adversário a ser sempre respeitado, mas a equipe do treinador Eduardo Acevedo é mais que isto. Com um bom time, venceu o apertura 2009, destacando “Matute” Morales e Nicolas Lodeiro (que foi logo levado pelos europeu$). Atualmente a equipe pode não inspirar técnicamente, mas mereceria mais confiança de sua torcida. Talvez isto esteja ligado a boa fase de seu rival Peñarol (que venceu 12 partidas seguidas conquistando antecipadamente o clausura) e faz com que a cobrança seja naturalmente maior.
Para enfrentar o Cruzeiro, no Mineirão, Acevedo planeja povoar o meio campo para dificultar a subida dos bons laterais brasileiros, assim Mario Regueiro estará sozinho a frente de “Matute” Morales. O ataque, apesar de contar com o “ídolo” da torcida, não é o setor mais forte e está devendo (marcou 9 gols), mas a defesa funciona bem com Coate, o experiente Lembo e o ótimo goleiro Rodrigo Muñoz, levou 4 gols em casa e nenhum fora, além de contar Álvaro Gonzalez que por vezes apóia saídas a frente. Com base nestes dados, todos esperam uma equipe fechada na partida de ida, já que o Bolso confia levar a decisão da vaga para sua casa, o Parque Central, e assim contar com sua fanática torcida para complicar a vida do Cruzeiro.
Fora de campo, declarações do treinador tricolor – de que história do Nacional seria mais gloriosa que a do Cruzeiro – não foram bem recebidas pelos adversários, sendo equivocadamente encaradas como provocação; Claro erro de percepção em uma típica atitude de quem está acostumado a palavras politicamente corretas e opiniões viciadas.
Habitualmente, quem joga contra brasileiros enfrenta esse tipo de situação. Basta uma equipe ser de fora dos limites brasileiros que será condenada ao manjado conceito de “catimbeiros”, algo tão estranho e duvidoso quanto a explicação da origem desta palavra.
Não é difícil compreender já que a posição de menosprezado e perseguido é mais dramática, mais sofrida… E por alguma razão que desconheço, o que parece dramático e sofrido é mais bonito aos olhos dos outros. O outro sempre é o vilão, prepotente e arrogante.
Levando isso para dentro do futebol, se entende porque tantos times fazem questão de se colocar nesta posição. Assumir posto de favorito sempre é arriscado, tem de justificar dentro do gramado e isso é complicado para muitos, por outro lado, estar no lugar de “vítima” da história só tem pontos positivos, qualquer resultado serve. Afinal assumir que se é forte, é só para quem realmente é e sabe bancar isso.
Sinceridade não é desrespeito, mas ofende quem não quer ouvir e interpretada erroneamente vai parar nas paredes dos vestiários para “motivar” jogadores despreparados que vestem camisa de clubes grandes, atitude que beira a infantilidade.
Dentro de campo, temos tudo para assistir duas boas partidas, muito disputadas e sem favoritos. Ambos tem tradição e merecem respeito, não se deve cobrar o que não se oferece ao outro…
29 abr
Garfados, sim. Incompetentes, também.
É com muita dor na alma que eu escrevo esse título. Porque é verdade. Nos dois aspectos.
O jogo de ontem foi, novamente, uma facada no coração de nós colorados. Nem superamos o maldito GreNal e somos surpreendidos por esse 3×1 na Argentina. Complicando completamente a nossa situação, deixando a classificação algo difícil de ser conquistado. Enfim, outra tragédia grega.
Vale ressaltar, sem se apoiar nisso, claro, que além da má atuação do nosso time, o árbitro estava completamente enlouquecido. Aliás, insanidade coletiva, porque os bandeirinhas também sofríam de um certo colapso mental. Gol impedido validado. Cartões ridículos. Expulsão sem fundamento. Pênaltis não marcados. Impedimentos toscos. Uma desgraça.
Aí, para completar o circo. Algum ilustre torcedor do Banfield resolve extravazar sua emoção lançando uma pedra no cocuruto da cabeça de Jorge Fossati. O técnico colorado cambaleia mas não cai. Sinceramente, esse tipo de atitude é muito egoismo. Além de ser uma violência gratuita e sem noção, queima a torcida inteira e mancha a beleza de um jogo de futebol, que tem que ser disputado no gramado.
Triste. E no fim das contas nos vemos com outra ressaca, dessa vez pós-derrota-em-mata-a-mata-de-Libertadores. Entretando – e eu falo muito sério – acho que dessa vez a tragédia pode (e SERÁ) revertida. Quinta-feira da semana que vem receberemos o Banfield como se deve, torcida educada, água quente nos vestiários (convenhamos né hermanos, isso que vocês fizeram, não se faz) e apresentaremos a eles o Inferno da Beira Rio.








